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MEU MAIOR SUCESSO NA INTERNET: “China Antiga, uma Tradição Milenar”


Apresentação
São mais de duas décadas dedicadas ao estudo e divulgação das Culturas Asiáticas no Brasil. Desde 2000, quando fundei o Centro de Investigação em Antiguidade Oriental [CIANO, hoje extinto] até agora, já tive oportunidade de publicar vários artigos e participar de livros, tanto aqui no Brasil como no exterior. No entanto, nenhum texto meu foi tão bem sucedido como esse que se segue agora. No mesmo ano de 2000, lecionei uma pequena oficina de História e Pensamento da China Antiga na Biblioteca Municipal de Niterói. Eu começara meu Mestrado, e tive a oportunidade gratificante de poder trabalhar um pouco com meu assunto preferido. O notável é que o texto que redigi para a apostila é, hoje, um sucesso absoluto na internet! Ele foi ‘wikipedificado’, e desde então, copiado a exaustão por diversos sites. Sinceramente, eu não ligo muito pra isso; quem acompanha meu trabalho, sabe que nunca me preocupei muito com a reprodução de meus escritos – citando a fonte, está tudo bem. Mas... o Brasil é um país fascinante no desrespeito à etiqueta virtual. Cheguei a enviar uma mensagem para a Wikipédia, indicando a fonte de alguns trechos utilizados na biografia de Confúcio, mas fui solenemente ignorado. Tudo bem; satisfaço-me de meu humilde texto secundar a biografia do grande Mestre, que tanto admiro. Todavia, porque não compartilhar o restante?
Assim sendo, disponibilizo para vocês o material da apostila de 2000. O original dela é de 1999, mas pouquíssima coisa foi alterada. Vocês lerão o texto de um sinólogo iniciante, fascinado, pouco experiente e, no entanto, apaixonado pelo que fazia. No original, havia alguns erros e confusões, derivadas das dificuldades de se obter informações confiáveis na época. Lembremos: a internet apenas começava, e livros especializados eram caríssimos e garimpados em sebos. No mais, deixei tudo igualzinho como na época, inclusive a grafia [e admito, continuo achando a nova regra ortográfica feia e deselegante].
Quanto as possíveis críticas, sejam condescendentes com o entusiasmado André de quinze anos atrás. =)


Dezembro, 2015


O TEXTO

INTRODUÇÃO
O presente curso tem por objetivo a abordagem e a análise de forma introdutória das características do pensamento chinês na antigüidade, com ênfase nas doutrinas filosóficas que surgiram neste país, suas particularidades e as relações que as mesmas possuem com a formação da mentalidade deste povo.

1o Parte. Formação do Pensamento na China Antiga.

a)      Características Gerais.
Podemos datar a origem do pensamento chinês através dos anais históricos chineses, no caso o Shi ji de Sima Qian, do livro de História Shu jing, e dos vestígios arqueológicos cujas representações nos trazem efetivamente as idéias que os primeiros cultos xamânicos possuíam.



b)      Formação das Concepções de Espiritualidade.
A princípio, as correlações com a idéia de espiritualidade e encarnação física provêm da interpretação dos sonhos como forma de interagir com outros mundos. Partindo disso, elabora-se um conjunto de práticas místicas cuja significação, ao ser estudada posteriormente pelos sábios, ganhou um novo caráter, embora suas reminiscências fossem conviver e sobreviver ao tempo.

c)      Xamanismo, Cultos e Ritos Antigos.
As práticas xamãs incluíam uma série de preceitos que envolviam o contato com o além, como o domínio dos sonhos, dos sons e de elementos naturais. Cultuavam-se animais, elementos e forças da natureza. Supõe-se que desse arcabouço surgiram as lendas referentes aos mitos heróicos da civilização (os 3 augustos; Fo Xi, o criador da agricultura, dos guás e de algumas ciências, Nua Kua como criador(a) do ferro e da fundição e Sheng Nu como o da medicina.) (Palmer, p.24). Mas essas lendas não são exatas: algumas vezes Nua Kua some e em seu lugar surge o Imperador Amarelo. Às vezes, as atribuições igualmente se confundem. Enfim, é o tempo em que surgem também as primeiras observações astrológicas, o calendário da agricultura, o horóscopo e o início das pesquisas medicinais com ervas e da alquimia.

d)      Contraposições e Relações do Mundo Material e Espiritual.
Diante desse conjunto de relações, os controladores dos processos rituais de contato com o mundo do além começam a funcionar como intermediários entre o além e o mundo material. Isso dará origem ao recorrente pensamento, na cultura chinesa, da perda das virtudes por parte do povo, motivo fundamental das pesquisas filosóficas que se desdobraram ao longo do nosso estudo.

e)      Introdução das Correntes Filosóficas, e Contexto.
As correntes aqui apresentadas tem por base a linha de raciocínio pelo qual a cultura chinesa recorrerá, constantemente, à um passado glorioso e harmonioso. Em geral, os pressupostos para este tipo de elucubração já existiam antes dos séculos VI-III A.C., época dos reinos combatentes, quando a violência dominava a organização dos reinos chineses e, por conseqüência, a visão que a sociedade possuía sobre si mesma encontrava-se sob forte contestação.

Textos:
Nei jing
Shu jing
I jing / I Ching


2o Parte. Taoísmo e Dinâmica da Natureza.

a)      Origens do Taoísmo.
A origem da concepção de Tao está intimamente ligada à idéia de harmonia natural concebida pelos xamãs em relação ao mundo físico e espiritual. Ela é anterior aos pensadores que se convencionou chamar de taoístas. Na verdade, é possível que essa concepção de Tao seja de fato uma re-sistematização de uma forma de compreensão cosmogônica derivada do xamanismo.

b)      Fundamentos do Taoísmo, distinção entre o Taoísmo Filosófico e Religioso.
A base de conhecimento para a distinção entre as duas correntes de interpretação do Tao é o Dao De Jing (Tao Te Ching), de Lao zi (Lao tsé). Nele se encontra a primeira coletânea referencial aos conceitos de interpretação do Tao. Partindo disso, uma corrente de seguidores estabeleceu-se como pensadores dos textos numa perspectiva interpretativa, enquanto outros descambaram para um resgate das tradições antigas, desenvolvendo-as através da alquimia, astrologia, medicina e finalmente, inserindo-a num contexto teológico, com deidades, santos e profetas.

c)      Abordagem dos autores Filosóficos.
Lao tsé foi o primeiro “autor” sobre o Tao. Muito se tem atribuído a ele, mas pouco se sabe sobre sua vida. Seus dados biográficos são escassos. O “velho sábio” é sempre representado dentro do estereótipo do mestre chinês: velho, barbas longas, anda montado num búfalo, sem pressa, sorridente, gentil e feliz. Diferente dos outros mestres, não mostra uma grande barriga cheia de Chi, um sinal de poder comum nas representações. Isso talvez porque não fosse importante na demonstração de suas concepções. “Legou” dois livros: o Tao Te ching, cuja estrutura pode Ter sido confeccionada por várias pessoas, tal a diferença dos versos. E um livro popular, mas pouco conhecido no ocidente, o Tai shang kan ying pien, livro de orientações mais práticas e menos metafísicas do que o primeiro.
Foi com Chuang tzu, porém, que o taoísmo conhece uma forma de acesso mais popular. É que este autor, também de biografia pouco conhecida, tratou de adaptar os complicados conceitos sobre o Tao em historietas fáceis e divertidas. Lie tzu também aparece em seus escritos, embora tenha seus próprios. É um autor menos conhecido, que ficou no meio do caminho entre uma proposta de simplificar o Tao sem perder porém seu apelo metafísico que forçava o raciocínio.

d)      Taoísmo religioso
Em contraposição à essa perspectiva, alguns taoístas dedicaram-se ao estudo da magia e da alquimia como princípio de entendimento do hermético Tao te ching. Logo estabeleceu-se uma correlação forte com o mito da longevidade, que estimulou grandemente o estudo das práticas químicas e dos exercícios físicos para o desenvolvimento do corpo e uma busca de integração maior com a natureza. Apesar do texto de Lao zi não se referir à deuses, essa corrente supriu a sua não referência aos textos com uma série de deidades próprias. (Palmer, p.113, p.135)

e)      Taoísmo e natureza.
Por tabela, os estudos dos taoístas religiosos levaram a elaboração dos tratados científicos que referendavam a interpretação da natureza a partir do ciclo dos 5 elementos (wu ching). Próximos disso estavam os estudos e o culto da constelação da Ursa polar menor, do I Jing, do Yu fu ching, e do Fong shue (feng shui). A concepção do Tao, portanto, permeou de forma significativa a orientação dos temas técnicos estudados dentro das perspectivas religiosas originárias do mesmo.

f)       Taoísmo e Sociedade Antiga.
O taoísmo teve uma presença muito forte no desenvolvimento da sociedade chinesa. Mesmo tendo dividido-se em correntes, seus praticantes organizavam-se solidamente em grupos segundo interesses peculiares, mas sempre em busca da harmonia celeste perdida pelas gerações anteriores.
Neste contexto, os grupos filosóficos tendem a perder força,  por serem menos acessíveis que os grupos religiosos, mais populares. Uma seita, organizada no século I D. C. ganha muita força, liderada por Chang li (seita dos 5 alqueires de arroz). Mas este crescimento é barrado pela rebelião dos turbantes amarelos, que no século seguinte sacode a dinastia Han com uma violenta guerra civil. Como resultado, arrefece-se o ideal do Tao como caminho. As buscas pacíficas continuariam, mas os desdobramentos graduais do taoísmo na sociedade demorariam novos e longos tempos para penetrarem fundo na estrutura social.

Textos:
Dao de jing /Tao te ching
Zhuang zi /Chuang tzu
Tai shang kan ying pien
Yu fu ching


3o parte. Confucionismo

a)      Surgimento do Confucionismo
Como foi dito anteriormente, o desenvolvimento das correntes de pensamento chinês da antigüidade tem no contexto dos estados guerreiros um momento de grande fertilidade. Isso se deve ao fato de que, na mentalidade chinesa da época, a harmonia existente nas antigas dinastias parecia algo próximo temporalmente, e ainda possível de ser buscado e alcançado. O período dos estados guerreiros trouxe para China a necessidade de uma avaliação sobre sua condição futura, tendo em vista o período de extrema violência e corrupção de valores que imperavam nas disputas políticas. Assim sendo, o período produziu a maior parte dos clássicos que se conhece, além pois da filosofia, como também da poesia, história, estratégia, política, etc.

b)      Kung fu zi
Kong zi, ou Confucio, ou ainda Kung fu zi foi o nome de um suposto filósofo que, tal como Lao zi, surgiu na época dos estados combatentes. Existe uma data tradicional para seu nascimento no século VI A.C., mas nada em definitivo. Suas obras também contêm seus comentários, mas não se sabe se foram escritas por ele ou por seus discípulos. De qualquer forma, ele foi uma figura bem mais provável do que Lao zi. Alguns autores antigos supõem um encontro dos dois, mas isso ainda é mais folclórico que a existência de ambos. Isso porém não é importante e definitivo, se levarmos em conta que a presença do pensamento de ambos foi, e ainda é, uma realidade.
Kong zi é biograficamente, segundo Sima Qian, uma representação típica do herói chinês. Ele era alto, forte, enxergava longe, tinha uma barriga cheia de Chi, usava longa barba, símbolo de sabedoria, mas se vestia bem e era simples.(Granet, p.288-296). Era também de um comportamento exemplar, demonstrando sua doutrina nos seus atos. Pescava com anzol, dando opção aos peixes, e com um arco pequeno, para que os animais pudessem fugir. Comia sem falar, era direto, franco, acreditava ser um representante do céu. (Ferreira, p.9-37)
Sua idéia de organização da sociedade buscava também recuperar os valores antigos, perdidos pelos homens atuais. No entanto, em sua busca pelo Tao, ele usava de uma abordagem diferente da noção de desprendimento metafísico proposta pelos Taoístas. Sua idéia estava embasada num critério mais realístico, onde a prática do comportamento ritual daria uma possibilidade real aos praticantes de sua doutrina de viverem em harmonia.
Apesar das idéias de conformismo que possam ser atribuídas à esse pensamento, elas são errôneas. Kong zi não pregava a aceitação plena de um papel definido para os elementos da sociedade, mais sim, que cada um cumprisse com seu dever de forma correta. Já o condicionamento dos hábitos serviria para temperar os espíritos e evitar os excessos. Logo, sua doutrina pregava a criação sim, de uma sociedade capaz, culturalmente instruída e disposta ao bem estar comum. Sua escola foi sistematizada nos seguintes princípios:

Ren, humanidade (altruísmo)
Li, ou cortesia ritual
Zhi, conhecimento ou sabedoria moral
Xin, integridade
Zhong, fidelidade
 Yi, justiça, retidão, honradez.

Como vimos, cada um desses princípios se liga às características que para ele se encontravam ausentes na sociedade.
Kong zi não procurou uma distinção aprofundada sobre a natureza humana, mas parece Ter acreditado sempre no valor da educação para condicioná-la. Sua bibliografia consta de 3 livros, sendo que os dois últimos são atribuídos aos seus discípulos. Temos o Lun yu, ou a síntese de sua doutrina. Depois, temos o Da xue (Grande conhecimento) e o Zhong Yong (Jung Yung), ou a “Doutrina do meio”. Por fim, temos um livro que hora é atribuído como um de seus clássicos, ora é apresentado em separado. É o “Clássico da piedade filial”, sobre o qual nada se tem certeza, ao menos se seria dele ou de seus discípulos (o mais provável).

c)    Os Comentadores posteriores.
Dos seguidores de Kong zi, o séc. 4 A.C. encontrou em Meng zi (Mencius) e Xun Zi um grande desenvolvimento e expansão na sociedade. Esses dois originais autores buscaram compreender o confucionismo (já distantes de Kong zi) dentro de uma perspectiva naturalista, recorrente das forças que atuavam na sociedade em seus períodos de vida. Mencius acreditava na importância da educação para retificar a boa natureza humana, que teria sido depravada em função dos conflitos e das necessidades impostas pela vida. O Homem possuiria os instintos naturais dos animais de preservação, ajuda, e a inteligência suficiente para evitar o conflito. Parece-me haver nele uma influência maior das correntes taoístas filosóficas. Já Xun zi recorreu ao verso da moeda para compreender o papel de Kong zi. Ele acreditava numa natureza perversa do homem, derivado dos mesmos instintos de preservação dos animais. Talvez pensando nos rituais propostos para a sociedade, e pela necessidade de ordenação, tal como no fundamento das lendas de fundação chinesas e na influência jurista (veremos adiante) Xun zi via no interior do homem uma inteligência capaz de articular meios pelo qual poderia evitar sua condição natural de forma arbitrária, mas que para isso haveria de Ter criado uma escala de valores delimitantes da ação humana. Mencius conseguiu uma boa repercussão popular por sua abordagem otimista da vida, mas as classes altas da sociedade viram em Xun zi uma explicação razoável para suas dúvidas. Assim, ao menos, deixam transparecer algumas biografias de Sima Qian. Por fim, há um livro atribuído ora a Mencius, ora incluído no Cânone de Kong zi. Este livro provavelmente, como todos os outros, foi escrito pelos discípulos confucionistas. Ele aparece como “Escritos de Meng zi”! Enfim, não há uma explicação razoável para sua autoria, mas tradicionalmente ele está incluído no cânone da doutrina.

d)      Desdobramentos na Sociedade.
Desde o início, o Confucionismo já se apresentava como uma doutrina  ligada a presença do poder estabelecido, buscando inserir-se no mesmo afim de processar as mudanças desejadas no padrão de vida da população. As proposições realísticas dessa corrente encontravam boa acolhida no meio administrativo, embora nem sempre fossem seguidas em detrimento dos interesses particulares. Na verdade, os confucionistas nunca propuseram leis, mas deixavam a cargo das consciências a escolha do seu modo de vida. Já na antigüidade, o estudo do confucionismo ganhou muitos adeptos, mas a entrada marcante dessa doutrina no meio político se deu através da criação de práticas de exames administrativos, criação de escolas superiores, organização de uma estrutura imperial tendo por base os princípios da doutrina até que, contrariamente á tudo que Kong zi propôs, ele foi canonizado como santo e sua escola ganhou uma vertente religiosa.
De qualquer forma, o confucionismo internalizou no meio social (até hoje) uma tendência já presente na cultura chinesa ao pouco mobilismo das classes, o que aparentemente não acontecia de forma grave no passado antigo.

Textos:
Lun yu
Da xue
Zhong yong
Meng zi
Xun zi


4o parte. Outras escolas, Conclusão.

a)      Juristas.
     Na confusão que se impôs no decurso da história chinesa, vitimada pelas guerras e atritos dos estados combatentes, uma corrente de pensamento surgiu discreta mas fortemente no seio da filosofia chinesa: foi a escola jurista, ou legista (ou ainda legalista), de propostas originais e surpreendentes na época. Seu maior representante foi Han Fei, que no século 3 A.C. sintetizou os princípios da doutrina. Acreditando que a perda dos valores sociais e da corrupção social estavam imbuídas na sublimação dos interesses próprios, os legistas acreditavam que era necessário criar uma forte lei, regular as funções e os papéis sociais, abrir mão de liberdades pessoais e seguir um propósito de organização coletiva. Meng zi achou um absurdo a proposição sobre as leis, pois elas tirariam o poder de decisão das consciências. Xun zi se influenciou dessas concepções, provavelmente, para acreditar que todos os homens eram maus de nascença. Mas este era um passo decisivo na regulação da vida cotidiana, haveriam leis para todos, destituindo o papel de sabedoria atribuído em geral aos conselhos, juizes e funcionários. Tinha-se medo também que isso contrariasse uma lei do céu, embora os juristas acreditassem estar viabilizando-a. De qualquer forma, houve um grande embate para que esta doutrina fosse absorvida nos meios administrativos. E quando o foi, sofreu modificações que de determinada forma ratificaram as divisões e desigualdades ao qual buscavam combater.

b)      Mozi.
O Moísmo surgiu próximo do Confucionismo, e parecia Ter uma certa semelhança com esse no que se propunha a compreender a natureza humana, embora viessem a se tornar inimigos ferrenhos dos primeiros. O moísmo pregava uma espécie de amor e a união universal. Acreditava que todos eram iguais diante do céu, e por isso mesmo deviam viver de forma equânime, perante uma interpretação (própria) da lei desse mesmo céu. Se por um lado sua pregação era criativa, por outro recorria igualmente ao discurso do retorno às tradições e da importância do desprendimento material (tal como no taoísmo - mas esse ponto mudaria radicalmente no decorrer de sua expansão) Curiosidade: as idéias moístas parecem Ter repercutido fortemente na escola jurista, no que tange a igualdade dos homens. Mas, sobre qualquer forma de interpretação, essa doutrina, fortemente religiosa, terminou por açambarcar elementos politizantes que desviaram seus propósitos. Deixou marcas fortes na sociedade, foi popular por suas críticas as artes tradicionais e era um dos compósitos da mentalidade familiar e relacional da sociedade, embora tenha sumido como escola ainda durante a antigüidade.

c)      Análise das quatro correntes.
Em geral podemos observar que a busca filosófica chinesa parte da necessidade de uma re-ordenação social baseada num princípio mítico ao qual se recorre constantemente como modelo de virtude. No entanto, esse posicionamento encontrou diferentes formas de abordagem. No caso do taoísmo, podemos afirmar que a opção encontrada estava numa codificação do método fortemente ligada ao xamanismo (embora buscasse se separar do mesmo, como veremos em Zhuang zi), conquanto os Confucionistas, embora tivessem noção do Tao e o utilizassem amplamente, preferiam uma abordagem mais consciente das problemáticas sociais. Por conseguinte, esse método deu embasamento as discussões posteriores sobre a natureza humana, que no 3 século A.C. vão ser a mola-mestra tanto dos confucionistas como dos moístas e dos legistas. No caso dos dois últimos, podemos entender que ambos são os extremos dessas visões, pois enquanto o primeiro descamba para a pregação religiosa, o segundo defini-se como uma proposta extremamente racional, díspar portanto mesmo das tradições ao qual essa doutrina acreditava buscar recuperar.

d)      Aplicações sociais.
A inserção dessas correntes na sociedade chinesa foi fundamental em sua reestruturação na antigüidade, após o tormentoso período dos estados guerreiros e o início da dinastia Qin e depois, na continuação, com os Han. A participação das forças sociais na construção dessas doutrinas foi forte, já que de certa forma elas recorreram à um pensamento que apelava sempre à noção de conjunto da sociedade.  Assim sendo, o que se observou foi uma alternância dessas instâncias na vida pública, em torno das definições particulares dos governantes ligados à uma ou outra corrente. O que se pode constatar foi uma mescla das mesmas, absorvidas pelas instituições e pela população em contraste com as problemáticas da via material. Parece que cada doutrina alcançou, num determinado ramo, uma preeminência maior. Podemos observar que, como religião, o taoísmo alcançou forte ascendência, junto com o moísmo. Quando da entrada do budismo na China, a fusão dos conceitos taoístas com o budismo fez surgir a escola Chan (zen, em japonês) que dispensa comentários. Os estudos alquímicos e astronômicos também ganharam impulso com os taoístas. Já na área política e legislativa, o confucionismo e o legismo tomaram seus postos graças à seus aspectos práticos, e somente a radicalização das propostas moístas e legistas parecem Ter sido o motivo de seu desaparecimento como escola filosófica organizada, embora seus valores e idéias tenham sobrevivido e se divulgado. No fim, o jogo de escalas da mentalidade chinesa pode ser compreendido com uma fusão de aspectos diversos dessas correntes, que se ajuntam em torno de antigas tradições.

e)      Atualidade.
As permanências dessas doutrinas encontraram base fértil para sua inserção na sociedade chinesa. Em contraste com os desenvolvimentos técnicos, a corporificação dessas tradições ratificaram tendências que se fixaram até o século 19 na China. E, mesmo em torno das escolas modernas, cuja autoridade se baseia em análises recentes dessas correntes, gosta-se e busca-se retomar as tradições como fundamentos da doutrina. Em compensação, alguns aspectos se perderam. O taoísmo não é encontrado mais como filosofia, mas apenas como religião. O confucionismo está introjetado na cultura, mas não se encontra mais uma escola de estudos confucionistas. O moísmo e o legismo como correntes já se foram há muito. Logo, as reminiscências dessas posturas clássicas encontram eco mas não se fazem presentes na sociedade moderna, em contraste com seu constante apelo material e com o surgimento das correntes de pensamento (e religiões) européias (marxismo, democracia, cristianismo, etc). A re-descoberta desses saberes também está fortemente vinculada ao interesse ocidental, conquanto os chineses estivessem fortemente interessados no pensamento advindo no nosso lado do mundo e ainda, porque suas concepções não encontraram forte acolhida no resto do mundo antigo, exceto no Japão e Coréia, sofrendo ainda concorrência direta das práticas Hindus. O momento de culminância da divulgação das correntes de pensamento chinesas esteve ligado à expansão mongol, com os frutos (poucos) que a historiografia pode recuperar. Mas esta é uma questão em aberto, e pouco estudos satisfatórios forma feitos sobre o impacto da China no Ocidente em períodos mais antigos.

f)       Práticas das Doutrinas na Atualidade.
É possível praticar as doutrinas chinesas na atualidade? A princípio, essa discussão é complicada, tendo em vista que fazemos parte de outra cultura e possuímos uma mentalidade distante das concepções que cercam essas doutrinas. Nosso contexto é outro também, e embora tenhamos guerra e fome, a busca de uma salvação na sociedade moderna tem se incluído na religião de uma forma alternativa e variada. Assim sendo, na opinião deste autor, algumas práticas antigas podem ser diligentemente utilizadas nas condições atuais para melhorar a vida da sociedade. No entanto, como um conjunto de idéias, métodos e hábitos, devem ser criticamente abordadas, sem o que incorremos no risco de criar anacronismos ou ainda, de recorrermos a condições de conduta que não mais são aplicáveis. De fato, talvez nada mais possa ser feito do que deixar seguir o rumo atual das coisas, onde o senso crítico tem, (apesar de sua temerária unanimidade pouco “crítica”) filtrado as áreas de interesse que atendem as exigências do público. No entanto, o risco da abordagem superficial dessa cultura pode levar à distorções graves de sua interpretação (o que ocorre na maioria dos casos), prescindido, por fim, de uma abordagem profunda que leva alguns anos de estudo até que se tenha uma boa base ao qual se possa recorrer racionalmente.
  
Textos:
Han fei zi
Zhuang zi

g)      FECHAMENTO
A proposta foi de apresentar sucintamente o conjunto das Filosofias que embasam o pensamento chinês. Elas exigem e merecem uma atenção cuidadosa, meticulosa e atenta, já que a tradição apresenta sempre e muitas contradições em seu discurso. No entanto, espero que o estudante encontre, nesse curso, um referencial para o estudo dessa civilização, que ainda tem muito a ser descoberta e que continua num processo contínuo de desenvolvimento, mas que pede um olhar sincero na manutenção e preservação de sua cultura antiga.


CADERNO DE TEXTOS


1O PARTE

Nei Jing
1o Tratado, sobre a verdade natural dos tempos antigos.
(...) Nos tempos antigos existiram os sábios, que preservaram a virtude e defendiam infalivelmente o caminho do Tao, o caminho certo. Viviam de acordo com o Yin e o Yang e em harmonia com as quatro estações. Afastavam-se deste mundo e renunciavam à vida mundana, poupavam energias e preservavam o espírito intacto. Viajam por todo universo e eram capazes de ver e ouvir além dos oito espaços distantes. Graças a tudo isso, aumentavam e fortaleciam sua vida, e por fim, atingiam o estágio do Homem espiritual.(...)

Shu Jing
O Mandato do céu
(...) No décimo segundo mês do primeiro ano...  Yi Yin realizou um sacrifício ao rei anterior, e apresentou o venerável herdeiro do rei ante o santuário de seu avô.  Todos os príncipes do domínio[casa] dos nobres e do domínio[casa] real estavam presentes;  todos os oficiais também, cada um encarregado de continuar seus deveres particulares, estavam lá para receber as ordens do ministro principal.  Yi Yin então descreveu claramente a virtude completa do meritório antepassado para a instrução do rei novo.  Disse, " Oh!  os velhos reis anteriores de Xia cultivaram seriamente sua virtude, e então não havia nenhuma calamidade no céu.  Todos os espíritos dos montes e dos rios estavam igualmente em tranqüilidade;  e os pássaros e as bestas, os peixes e tartarugas, todo o apreciavam sua existência de acordo com sua natureza(...)

I jing
43. Kue (Resolução)
Julgamento: resolução. A questão deve ser apresentada ao tribunal mais alto, resoluta e honestamente. Perigo. Deve-se informar o próprio povo, mas não é vantajoso recorrer à própria força, agora. É vantajoso empreender alguma coisa.
Imagem: o lago transbordou, rumo ao céu. Símbolo de resolução. Assim o homem nobre distribui a riqueza abaixo de si e receia descansar sobre sua virtude.

2O PARTE

Lao zi
Dao de jing (Tao te ching)        
19. Elimine a sagacidade, abandone o conhecimento.
Elimine  sagacidade, abandone o conhecimento, e o povo se beneficiará mil vezes.
Elimine o altruísmo, abandone o dever, e o povo retornará ao amor familiar.
Elimine as artes, o lucro, e não haverão mais roubos.
Essas três coisas tornam-se ineficazes quando usadas no embelezamento, provocando a existência de laços. Veja o básico, abrace o incorrupto, reduza o egoísmo, diminua o desejo.

Tai shang kan ying pien
5. Além disso, quando as partes fazem uso da violência ou do erro para pegar o dinheiro de outro, de acordo com seus interesses, porão em jogo a  vida de suas esposas e crianças, e de todos os membros de suas famílias, quando gradualmente estes morrerão.  Se não morrerem, sofrerão os desastres da água, do fogo, dos ladrões, e dos salteadores, das perdas de propriedade, das doenças, e das línguas más para abalar o valor de suas apropriações más.  Mais, aqueles que matam erradamente os homens estão pondo somente suas armas nas mãos de outras que em sua volta os matarão. (...) Consequentemente o homem bom fala o que é bom, contempla o que é bom, e faz o que é bom;  cada dia ganham estes três virtudes:  no fim de três anos é certo céu abençoá-los  com seus sentimentos. O homem mau fala o que é mau, contempla o que é mau, e faz o que é mau;  cada dia tem estes três virtudes (também):  mas no fim de três anos onde acha que o Céu lançará suas misérias? Como (assim) é que os homens não se esforçam para fazer o que é bom?"

Yin fu jing
Capítulo I.  1.  Se um observar o Dao (Tao), e mantiver seus deveres como seus próprios, tudo que tem que fazer está realizado.  2.  A Dao pertence os cinco inimigos [elementos] mútuos, e quem os vê e compreende suas operações apreende como  (eles) produzem a prosperidade.  Os mesmos cinco inimigos estão na mente do homem, e quando pode este os ajustar na ação da maneira do Dao, todo o espaço e o tempo desaparecem , e ele percebe a transformação das coisas em sua pessoa.  3.  A natureza de Dao pertence também ao homem;  a mente do homem é uma fonte de potência.  Quando o Dao é estabelecido, o curso do homem está determinado desse modo.

Zhuang Zi (Chuang Tzu)
“Uma vez, Zhuang zi pescava no rio P’u, quando o príncipe Chu mandou dois altos funcionários convidá-lo para assumir um cargo de administrador do estado Chu. Zhuang zi continuou pescando, e sem virar a cabeça disse: “ouvi falar que há uma tartaruga sagrada que morreu há mais de três mil anos, e que o monarca a guarda cuidadosamente num cofre no altar de seus ancestrais. Para essa tartaruga seria melhor estar morta e  ver seu restos venerados ou estar viva e arrastar a cauda na lama? “seria melhor estar viva e arrastando sua cauda na lama”, responderam os dois. Então, gritou Zhuang zi: “saiam! Eu também irei arrastar minha cauda na lama..”

3O PARTE

Confúcio
Zhong Yong, ou a “Doutrina do Meio”
O mestre disse: este era Shun - ele havia de ser certamente um grande sábio! Shun gostava de questionar os outros, e estudar suas palavras, mesmo que elas fossem superficiais. Ele escondia o que era mau em si e indicava o que era bom. Ele tocou os dois extremos, determinou o meio, e empregou-o ao governar o povo. Este que era mais do que ele próprio, era Shun! O mestre disse: todos os homens dizem, “somos sábios”, mas levados  adiante e postos de frente à uma rede, armadilha ou cilada não sabem como escapar. Os homens todos dizem: “somos sábios”, mas acontecendo de escolherem o caminho do meio, não conseguirão se manter nele por um mês redondo. O mestre disse: essa era a maneira de Hui - ele fez a escolha do meio, e quando conseguiu dominar o que era bom, ele o abraçou firmemente, e a apertando contra o peito, não o perdeu de forma alguma. 

Da xue ou o “Grande conhecimento”
Quem deseja bem ordenar seus estados, deve primeiro regular as famílias. Desejando regular as famílias, devem cultivar as pessoas. Desejando cultiva as pessoas, devem primeiro retificar seus corações. desejando retificar seus corações, procuram primeiramente ser sinceros em seus pensamentos. Desejando ser sinceros em pensamento, devem primeiro estender ao máximo os seus conhecimentos. Tal extensão nos coloca na investigação das coisas. E estas coisas estão sendo investigadas.

Lun yu ou “Analectos”. 
1O capítulo
Não é agradável aprender com uma perseverança e aplicações constantes? Não é delicioso Ter amigos que venham [nos visitar] de distantes lugares? Não é ele um homem de completa virtude, [aquele] por quem sentimos que não podemos pensar em qualquer descompostura sem antes ler uma de suas notas? O pensador Yu disse: “são poucos os que, sendo filias e fraternais, gostam de ir de encontro e ofender os seus superiores”. Não houve nenhum, entre eles, que não gostando de ofender ou de ir de encontro aos seus superiores não estivesse acima de qualquer agitação e da confusão. O homem superior dobra sua atenção ao que é radical. Aquilo que está sendo estabelecido, tudo segue o curso prático natural do crescimento para cima. A submissão piedosa e a fraternidade filial não estão, portanto, nas raízes de todas as coisas?”
  
Xun Zi
Rituais
(...) os sacrifícios são concebidos com os sentimentos de devoção e do desejo.  Cumprem a lealdade, a fé, o amor, e o respeito.  A conduta ritual é a perfeição do decoro.  Somente os sábios podem inteiramente compreender isso. Sábios compreendem isso, os cavalheiros o carregam confortavelmente consigo, os oficiais preservam-no, e os povos comuns consideram-no como sendo o costume.  Os cavalheiros consideram-no ser arte da maneira do homem;  os povos comuns pensam que têm alguma coisa para fazer (tem haver) com fantasmas...(...)

Natureza humana
A natureza do homem é má. Bom é o produto humano. A natureza humana é tal que os povos nascem com amor ao lucro, e se seguirem essa inclinações, eles lutarão e arrebatar-se-ão uns aos outros, e as inclinações ao dever e a produção morrerão. Eles nascem com medos e ódios. Se os seguirem, transformar-se-ão em violentos e tendenciosos  indo de contra a  boa fé, que morrerá. Se forem indulgentes, e desordem da licenciosidade sexual resultará na perda dos princípios rituais e da moral. Em outras palavras, se o povo agir de acordo com a natureza humana e seus desejos, eles inevitavelmente lutarão, arrebatar-se-ão, violarão as normas e agirão com um violento abandono. Consequentemente, somente depois de transformados por professores e por princípios rituais e morais, conforme a cultura, poderão permanecer em boa ordem. Visto por este lado, é óbvio que a natureza humana é má e bom é o produto humano.

Meng zi
Natureza humana.
Mencius disse: “todos tem um coração sensível aos sofrimentos de outros. Os grandes reis do passado tiveram esta sorte do coração sensível e políticas cheias de compaixão foram adotadas. Trazer a ordem ao reino é tão fácil quanto mover um objeto em sua palma quando você tem um coração sensível e o põe em prática políticas com compaixão. Me deixe dar um exemplo do que eu digo: todos tem um coração sensível aos sofrimentos de outros: qualquer um hoje que viu, de repente, um bebê próximo de cair  em um poço se sentiria alarmado e concernido.  Não seria porque quis melhorar suas relações com os pais da criança, nem porque quis uma reputação boa entre seus amigos e vizinhos, nem porque não gostou de ouvir a criança gritar.  Disto segue que qualquer um à quem falta sentimentos de comiseração, de carinho, de cortesia ou um sentido de certo e de errado não é [não pode ser entendido como] ser humano. (...) Gaozi disse: “a natureza humana é como a água correndo: quando um curso  é aberto ao leste, ela flui para o leste;  quando uma corrente é aberta ao oeste, flui para o oeste. A natureza humana é mais inclinada ao bom tanto para o leste quanto para o oeste.  Mencius respondeu: “a água não tem preferência pelo leste ou pelo oeste, mas não tem uma preferência pelo cimo ou para baixo?”  A bondade é na natureza humana como fluir da água para baixo. Não há nenhuma pessoa que não seja boa e nenhuma água que não flua para baixo. Espirrada, ela pode molhar sua cabeça;  se forçada, pode ser trazida acima de um monte. Mas esta não é a natureza da água.; são circunstâncias específicas.  Embora os povos possam ser feitos para serem maus, suas naturezas não são mudadas

4O PARTE

Han Fei
Os dois punhos.
Os meios pelo qual uma regra inteligente controla seus ministros são os dois punhos.  Os dois punhos são punição e recompensa.  Que significam o castigo e a recompensa?  Quando infligir a morte ou a tortura em cima dos culpados, é chamado castigo;  os incentivos ou recompensas para homens do mérito  são chamados de recompensa. Os ministros são receosos do censura e da punição mas são afeiçoados ao incentivo e a recompensa.  Consequentemente, se o senhor dos homens usar os punhos do castigo e da recompensa, todos os ministros temerão sua severidade e por seu turno, sua liberdade. (...) Agora supondo que o senhor dos homens colocasse sua autoridade da punição e do lucro da recompensa não em suas mãos, mas deixando os ministros administrarem preferivelmente os casos da recompensa e da punição, a seguir todos no país temeriam os ministros, e logo a regra, voltando-se para os ministros e afastando-se da regra.  Esta é a calamidade da perda da regra dos punhos do castigo e da recompensa.

Zhuang zi
Próprio para Imperadores e reis.
(...) no dia seguinte, foram ambos visitar Hu tzu mais uma vez e, ao deixarem a sala, o xamã disse a Lie tzu: “teu mestre nunca é o mesmo! Não tenho como examinar-lhe a fisionomia! Se ele tentar se arrumar, voltarei para examiná-lo mais uma vez”.(...) No dia seguinte voltaram, mas antes de deter-se em Hu tzu, o xamã perdeu o juízo e fugiu...(...)


BIBLIOGRAFIA  BÁSICA COMENTADA
Esta pequena bibliografia que apresento situa-se como um compêndio básico e resumido dos diversos livros que usei nesse trabalho. Para que os leitores iniciem seus estudos com segurança e facilidade, coloquei alguns em português.

CLEARY, T. A essência do taoísmo. São Paulo: Best seller, 1998
_______A essência do confucionismo. Idem acima.
Este autor realizou traduções de boa qualidade sobre a literatura chinesa. Apesar de algumas liberdades tomadas com os documentos, seus trabalhos escapam da mesmice, são originais e acessíveis.

FERREIRA, M. Os Analectos. São Paulo: Pensamento, 1989
Uma das poucas versões que existem da obra de Confúcio. Alguns cuidados devem ser tomados com a tradução, mas em geral é um bom livro, e acessível para que começa.

GERNET, J.  O Mundo Chinês. Lisboa: Cosmos, 1979 2 volumes
Este livro trata-se de um bom guia sobre a história da China, abrangendo os vários períodos dessa civilização sob as mãos de um dos maiores especialistas franceses no assunto.

GRANET, M. A Civilização Chinesa. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979 2 volumes 
_______O Pensamento Chinês Lisboa: Contraponto, 1997
Marcel Granet foi o maior sinólogo que a França conheceu, a até hoje suas obras continuam atuais, mesmo que esse reconhecesse o pouco que a arqueologia sabia sobre essa civilização na época. O primeiro livro é um tratado sobre antigüidade chinesa. O outro, um pesado, grosso, abrangente e maravilhoso livro sobre a cultura chinesa antiga e suas formas de pensar. Vitais em qualquer estudo.

JOPERT, R. O Alicerce Cultural da China. Rio de Janeiro: Avenir, 1979
Um dos poucos livros produzidos no Brasil sobre cultura chinesa, e de uma qualidade inusitada. Excelente. Apresenta um panorama das origens da China até a dinastia Han.

PALMER, M. Elementos do Taoísmo. São Paulo: Ediouro, 1999
À primeira vista este livro não chama muita atenção, mas é uma excelente introdução ao taoísmo. Seguro e bem feito, recomendado para todos.

WATSON, B. Chuang tzu. São Paulo: Cultrix, 1988
Burton Watson é um dos maiores tradutores da literatura chinesa existente. Cada um dos seus textos até hoje produzidos constitui seguramente uma boa fonte.

WHILHELM, R. I Ching. São Paulo: Pensamento, 1989
____Tao te Ching. São Paulo: Pensamento, 1997

Este autor viveu na China algum tempo, e seus trabalhos são extremamente bem comentados. Indispensável.


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