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Resolvendo Babel



Quando o rei de Wei decidiu construir uma torre que iria chegar até a metade do céu, ele deu uma ordem:
- Quem tentar me dissuadir, será condenado à morte.
Xu Wan, um ministro de Wei, procurou-o com um cesto nas costas e uma lança na mão.
- Senhor, ouvi que está querendo construir uma torre que vai chegar até a metade do céu - disse Xu,- e seu humilde servo veio lhe oferecer ajuda.
- O que de forte tem para me oferecer?- quis saber o rei.
- Eu não sou forte - respondeu Xu- mas eu posso trabalhar no projeto da construção.
- Sim - disse o rei.
- Senhor, ouvi dizer que a distância entre o céu e a terra é de 15 mil li. Como quer construir uma torre que chega até a metade da distância entre a terra e o céu, a torre deve ter 7.500 li de altura. Para agüentar essa estrutura, os alicerces devem ter a circunferência de oito mil li. Toda a suas terras juntas, senhor, não são suficientes para os alicerces. Há muito tempo atrás, os reis Yao e Shun estabeleceram ducados com a circunferência de cinco mil li. Se estiver determinado a construir essa torre, deve primeiro atacar os duques e pegar todas as terras deles. Mas ainda não vai ser o bastante. Deve também expulsar várias tribos que vivem em longínquas regiões ao norte, ao sul, a leste e a oeste. Quando conseguir uma áreas com limites de oito mil li, aí, sim, será o suficiente para os alicerces. Quanto a questão do material de construção, trabalhadores e depósitos de comida, tudo isso deve ser calculado em algumas centenas de milhões. For a da área cercada de 8 mil li, uma grande extensão de campos deve ser escolhida para a produção de comida para os trabalhadores se alimentarem enquanto estiverem construindo a torre. Quando todas essas condições para a construção das torres forem preenchidas, o trabalho pode começar.
O rei ficou calado, sem encontrar uma resposta. Ele abandonou a idéia da construção da torre.

por Xinxu, trad. Márcia Schmaltz e Sérgio Capparelli

Quando os hebreus estiveram na Babilônia, amaldiçoavam suas grandes obras, dedicadas aos deuses pagãos. Criaram o Mito de Babel, representando a pretensão e arrogância da humanidade em querer alcançar o Céu.
Deus precisou intervir, criando confusão entre os povos e destruíndo a Torre. Resultado: a razão humana em segundo lugar, a intervenção divina em primeiro. Que penas se, tal como os chineses, a sensatez prevalecesse sobre o mito - ainda que esse seja um outro mito, de que a razão pode sobrepujar a fé.
Às vezes, é possível que a ciência supere os mitos na busca de uma explicação palpável. Mas o senso comum não é feito disso. Ele é construído, justamente, dos fragmentos de pensamento ao qual não se dá coerência, mas uma justificativa.
Assim sendo, essa maravilhosa fábula nos ensina que, desde antigamente, é possível o uso da razão.
Mas quem disse que os chineses amam a razão, tanto quanto os ocidentais acham que amam?


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