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Dialética do Biscoito da Sorte

Zapotzu estava em dúvida sobre abrir ou não seu biscoito da sorte.

E se houvesse uma previsão ruim? Mas biscoitos não predizem coisas ruins, no máximo avisam. Porém, se o ruim acontecer, que diferença faz abrir ou não o biscoito? Se preparar para o pior, apenas?

A preparação só pode existir se alguém puder mudar seu “destino”. Nesse caso, abrir o biscoito seria útil. Se, claro, ele for verdadeiro. Pois do mesmo modo, abrimos o biscoito esperando que ele vá nos dizer algo de bom. E nesse caso, torcemos para que o previsto ocorra. Mas se acreditamos nisso, então, é porque pode acontecer da sorte não ocorrer como previsto, o que nos jogará numa previsão falsa e num biscoito errado.

Do mesmo modo, se a sorte pode ocorrer sem abrir o biscoito, que diferença ele fará então?

Zapotzu nunca pensou que um mero biscoito pudesse lhe dar o que pensar. Decidiu que, sendo, um mistério, deveria penetrá-lo; e que sendo um estudioso, deveria guiar sua vida pela cabeça, e não pelo acaso.

Como um bom letrado, tomou para si a condução de seu caminho, engoliu o biscoito sem abrí-lo, e assumiu o que viesse pela frente.

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