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O Complexo de Hundun

O Rei do Mar do Sul era age-conforme-teu-palpite,
O Rei do Mar do Norte era age-num-relâmpago.
O Rei do lugar entre um e outro era A Não-Forma (Hundun, ou Caos).

Ora, o Rei do Mar do Sul
E o Rei do Mar do Norte
Costumavam ir juntos freqüentemente
À terra do Não-Forma.
Este os tratava bem.

Então, consultavam entre si,
Pensavam num bom plano,
Numa agradável surpresa para Não-Forma
Como penhor de gratidão.

«Os homens», disseram, «têm sete aberturas
Para ver, ouvir, comer, respirar,
E assim por diante.
Mas o Não-Forma
Não tem aberturas.
Vamos fazer nele

Algumas aberturas».
Depois disso
Fizeram aberturas em Não-Forma,
Uma por dia, em sete dias.
Quando terminaram a sétima abertura,
Seu amigo estava morto.
Disse Lao Tan: «Organizar é destruir».

Zhuangzi


Hundun, a Não-forma ou Caos; ao se lhe abrirem os sentidos, ele morre. Na moral caminhante dessa fábula, conhecer o mundo e a realidade é perder-se.
Atinar ao que ocorre ao redor é uma perda de tempo e sentido, apenas seguindo a “natureza original” é que poderemos encontrar a “verdade” – o que nesse caso significa a “ignorância” original.

Esse conto é interessante para mostrar como ignorantes buscam justificar sua ignorância, confundida com “pureza de alma” ou outra bobagem qualquer.

De modo semelhante, muitos no Brasil preferem não saber a “verdade”, ou encarar a dura realidade da vida. Preferem se deixar levar pelo sabor dos desatinos políticos e sociais, sem tomar consciência crítica das coisas.

Este é o complexo de Hundun. Muitos preferem viver no caso, no sem forma, ao invés de se impor a ordem.

Convidados ao esclarecimento – a ver, ouvir e falar – preferem se abster, com medo de “morrer” ou “sofrer” diante da constatação das coisas.

Para a China, felizmente, o confucionismo venceu como doutrina social, e hoje guia o processo educativo chinês.

Podemos fazer o mesmo aqui, por meio de uma educação crítica e consciente, e não assistencialista e esvaziadora. Qualquer projeto de nação que queiramos construir depende de uma educação sólida, e voltada para isso. Carecemos da criação dessa identidade educadora – e quero crer que essa identidade pode ser criada, projetada, e não admitir que já temos uma estereotipada, aquela do brasileiro indolente, preguiçoso, servil e estúpido. Não precisamos ser assim.

Mas para isso, é necessário abrir os olhos, boca, ouvidos, e desafiar o perigo da constatação do real.

Os caminhantes estavam errados; e continuam, até hoje, nesse ponto. Como disse Confúcio: “nunca vi alguém atingir a sabedoria no meio do mato”

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